Só o tempo irá ilibar (ou condenar) Farioli por abdicar de Rodrigo Mora

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Rodrigo Mora corre o risco de se tornar no novo Bernardo Silva: um jogador com um talento capaz de encantar tudo e todos, mesmo os adeptos rivais, mas que por alguma razão teve de sair de Portugal para ser bem-sucedido. A saída para a AS Roma acaba por ser o melhor desfecho, sabendo, de antemão, que no FC Porto seria sempre visto como uma solução de recurso para Farioli, que prefere outro estilo de jogador, mais físico e menos virtuoso. 

O treinador italiano tem toda a legitimidade para escolher quem deve ou não entrar no onze inicial da sua equipa. Isso não pode, nem deve ser colocado em causa.

No entanto, também há o outro lado da moeda. O papel de um treinador não deveria passar por encontrar a fórmula certa para meter os melhores jogadores dentro de campo? E será que o FC Porto pode dar-se ao luxo de sair aquele que, quiçá, será o melhor talento formado no Olival?

Farioli tem razão quando afirma que se trata de um negócio histórico para a Roma e para o FC Porto. Mas aquilo que hoje pode parecer um valor elevado, dentro de alguns anos poderá ser visto como uma verdadeira pechincha para o emblema italiano.

Apenas o tempo irá dar razão aos críticos de Farioli. Ou, por outro lado, provar que o treinador italiano não estava assim tão errado ao prescindir de Rodrigo Mora para dar total protagonismo a Gabri Veiga. 

Os treinadores devem ser independentes nas suas escolhas, sem olhar a idades, estatutos ou nacionalidades. E Farioli apenas estará a seguir a sua ideologia, apoiada num futebol de alta intensidade, onde Rodrigo Mora não tinha nem tempo nem espaço. 

De todo o modo, o técnico italiano também sabe que corre o sério risco de ver Rodrigo Mora ‘explodir’ num país que tão bem conhece, até porque vai estar nas mãos de Gian Piero Gasperini, Gasperini, treinador que tem demonstrado, ao longo dos anos, saber potenciar jogadores talentosos dentro de estruturas de elevada exigência tática.

De resto, o ‘casamento’ entre Rodrigo Mora e AS Roma tem tudo para dar certo. O jovem português terá, com certeza, espaço de sobra para se afirmar, ao mesmo tempo que entra num contexto onde a qualidade técnica e a capacidade de interpretar espaços podem ser particularmente valorizadas – fugindo da Premier League, onde a intensidade e o confronto físico não dão tréguas. 

Ainda sobre Farioli, o ataque dirigido a “muitos meios de comunicação do sul” era escusado e não acrescentou nada de relevante na saída de um jogador tão acarinhado pelos adeptos do clube que representa.

Certamente que Farioli quis conquistar aquela parte da massa associativa do FC Porto que não lhe perdoa ter abdicado de Rodrigo Mora, mas há outras formas de o fazer. Farioli tem todo o direito de se defender e apresentar os argumentos que entende ser válidos para rebater as críticas – mesmo que os números não lhe deem razão quando afirma que Mora jogou quase tanto como Gabri Veiga em 2025/26. 

Ainda assim, ser treinador de um grande clube merece uma outra postura. Atualmente, e numa altura em que há “pessoas doentes no futebol”, citando as palavras de Abel Ferreira e Luís Castro, que se encontram do outro lado do Atlântico, tentar incendiar os ânimos não pode ser um ato gratuito.

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