O árbitro português João Pinheiro concedeu, ao início da manhã desta terça-feira, uma extensa entrevista ao podcast ‘Completamente’, apresentado por Dany Oliveira, na qual, entre outros temas, falou sobre a conversa mais acalorada que teve com Lionel Messi durante o Argentina-Suíça (3-1), dos quartos de final do Campeonato do Mundo de 2026.
O juiz português garante que não houve nada de extraordinário entre os dois e sustenta que o episódio apenas ganhou mais foco nos dias que se seguiram por se tratar do capitão argentino.
“Sempre que alguém me apanha na rua, pergunta pelo episódio do Messi. Eu digo sempre que acho que o que levou a que fosse tão famoso foi ser o Messi, porque se fosse outro jogador qualquer, as coisas iam ser levadas de forma natural. Ele percecionou algo que eu lhe disse de uma maneira errada. Achou que eu lhe tinha faltado ao respeito e não faltei, é algo que nunca falto. E pronto, eu expliquei-lhe que não, mas ele não quis perceber”, começou por dizer João Pinheiro.
“Entrámos ali numa conversa em que ele dizia que sim, eu dizia que não e ficámos ali. Ninguém teve a sua razão, mas foi um momento de 30 segundos… durante o jogo todo não se passou mais nada. Não tive mais qualquer tipo de problema durante 120 minutos com o Messi ou qualquer outro jogador”, prosseguiu ainda o árbitro português, de 38 anos de idade.
“Já conhecia alguns jogadores da Argentina de os arbitrar, principalmente em competições europeias. Já tenho algum relacionamento com eles, já me conhecem e sabem que podem falar comigo que as coisas estão lá naturalmente. Mas não foi nada. Sinceramente, acho que foi esse facto de ser o Messi que levou a que se extrapolasse uma situação que acontece muitas vezes”, finalizou o juiz da Associação de Futebol de Braga.
Numa entrevista ao Canal 11, em que fez o balanço da participação no Mundial2026, João Pinheiro já tinha dado um lamiré sobre o assunto.
“Messi [deu trabalho] e deram outros jogadores. São situações que acontecem com os jogadores. O futebol tem destas conversas, os capitães das equipas normalmente falam mais um bocado e as novas regras permitem-no. O que se passou com o Messi passou-se com outros jogadores. Claro que, por ser a figura do Messi, se calhar fez com que fosse mais vista, mas é algo que acontece naturalmente no futebol. Há uma relação normal entre nós, jogadores e árbitros, às vezes há diferentes opiniões sobre várias situações, mas nada que seja fora do normal. Acontece no Mundial, Liga dos Campeões, I Liga, II Liga, na Liga 3… Claro que, sendo o Messi ou o Cristiano Ronaldo, são situações vistas de maneira diferente, mas perfeitamente normais, até saudáveis. Não temos de exibir cartões amarelos por tudo e por nada. A gente falando entende-se”, vincou João Pinheiro.