Rui Borges recusou a ideia de que deixou Gonçalo Inácio fora do onze do Sporting frente ao Alverca (3-1), em jogo da 3.ª jornada da I Liga, disputado na noite de sábado, por poder estar de saída. Em conferência de imprensa, no rescaldo da partida realizada no Estádio José de Alvalade, o treinador dos leões garantiu que a mudança da dupla de centrais (Inácio e Eduardo Quaresma deram o lugar a Zeno Debast e Ibrahima Ba) se tratou de uma “estratégia”.
“Mudei três… Não vou falar individualmente, porque isto é uma equipa. Foram opção técnica pela semana e pela estratégia para o jogo”, começou por dizer Rui Borges, voltando ao tema após insistência dos jornalistas.
“Ninguém vai sair… Esta dupla [Zeno Debast e Ibrahima Ba] foi importante na minha decisão para o jogo de hoje. Deu-me mais garantias, foi o nosso sentimento, e por isso é que jogaram”, frisou.
O nome de Gonçalo Inácio voltou a surgir mais à frente, com Rui Borges a ser desafiado a garantir a sua continuidade no plantel do Sporting. O técnico leonino lembrou, porém, que há uma cláusula de rescisão que pode mudar o rumo dos acontecimentos.
“Não dou garantias pelo Inácio, nem por ninguém. Os jogadores têm uma cláusula. Foi por opção técnica e estratégia. Não sei onde foram buscar isso, da saída do Inácio. Não dou garantias por ninguém. Se alguém bater a cláusula, o clube é obrigado a deixá-los sair”, afirmou.
Já sobre Geny Catamo, que está a gerar a cobiça do Sunderland, de Inglaterra, Rui Borges destacou o compromisso do jogador moçambicano, que fez mais uma assistência, desta vez frente ao Alverca.
“O Geny está contente no Sporting. Tem feito bons jogos, demonstra entrega e felicidade. Sabe muito bem, desde sempre, a confiança que tem do treinador e da equipa técnica. Estou muito feliz com a resposta diária nos treinos e nos jogos. O assédio é natural, é um grande jogador. É natural que falem dele e de outros jogadores do Sporting para outros clubes. Apoio dos adeptos? Qualquer jogador gosta de sentir esse carinho”, vincou.
“Estamos longe do que queremos”
Apesar da vitória e da noite bem mais tranquila, quando comparada com os primeiros dois jogos da nova época, Rui Borges disse acreditar que o Sporting ainda tem um longo caminho pela frente para conseguir chegar ao melhor nível.
“Queremos jogar bem, mas mesmo sem jogar bem temos de ser mais consistentes. Estamos muito longe do que queremos no jogo ofensivo. Temos momentos bons, mas sem muita consistência. Vai levar tempo, mas é importante falhar a ganhar. O crescimento é natural e não tenho dúvidas de que vamos fazer grandes jogos no futuro. Hoje fizemos um jogo equilibrado”, defendeu, antes de abordar as várias mudanças operadas no plantel.
“Não há jogadores iguais e estamos numa aprendizagem, enquanto equipa técnica, dentro do perfil de jogador que contratámos. E sabemos o que contratámos. O crescimento não vai ser da noite para o dia. Não vamos ser a mesma equipa, seremos melhores numas coisas e não tão bons noutras. Não procurámos um perfil diferente. Procurámos jogadores para as posições e optámos por estes. Não conseguimos ir buscar um Morten [Hjulmand] ou um Pote… O Pote é muito mais jogador agora, muito mais maduro, erra menos, lê o jogo melhor… Esse crescimento é natural quando há mudanças”, explicou.
Por fim, Rui Borges também analisou a estreia de Nestory Irankunda, o oitavo reforço do Sporting neste verão, mostrando-se satisfeito com os primeiros minutos do internacional australiano.
“O Alverca estava mais exposto e o Nestory dá mais de profundidade do que o Jesse Derry e foi por aí. Tem características muito boas de que gostamos imenso. Acredito que, no futuro, será bastante importante para a equipa”, rematou.